ESCOLAS WALDORF COMO ORGANISMOS SOCIAIS Cuidando da Prática Escolar Uma escola Waldorf tem uma responsabilidade única em relação ao destino das crianças sob seus cuidados: para ela as crianças são seres sagrados que estão chegando à Terra aos poucos pelo processo encarnatório. As crianças, portanto, estão no início de seus caminhos particulares de desenvolvimento físico, intelectual e espiritual até tornarem-se adultos conscientes, capazes de conservar suas individualidades e, assim, enriquecer a evolução coletiva da consciência humana. Para que essas crianças sejam esses adultos, a escola precisa compreender-se de forma consciente e reflexiva como um organismo vivo. Goethe considerava a vida como um processo de desenvolvimento, localizada "entre um centro desconhecido e uma periferia desconhecida". A escola Waldorf também vive neste espaço "entre" polaridades. Ela não é um sistema, não é um mecanismo, não é um artefato, não é um objeto inerte, mas um processo ativo que está constantemente buscando seu destino, seu caráter único, ao longo da jornada entre polaridades de crescimento e decadência; interno e externo; ideia e forma; espírito e matéria; comunidade e indivíduo; professor e criança; pai e professor; currículo indicado e observação responsiva; identidade (verticalidade) e relação com o contexto e com o outro (horizontalidade); liderança coletiva e inovação individual; intenção e entrega. Embora a escola precise garantir o funcionamento dos seus sistemas, sua vida real é reconhecida qualitativamente a partir da sua relação com o que se apresenta no mundo. Deste modo, seu comportamento é determinado pela consciência com que aborda integralmente aspectos da sua própria constituição, da constituição das crianças sob seu cuidado, aspectos característicos da sua comunidade e da sociedade na qual está inserida, influenciando e sendo influenciada por ela. Como organismo vivo, a escola é muito mais do que o conjunto das relações cultivadas entre professor e criança. Desse modo, sua vitalidade depende de muito mais do que da educação dos alunos. A aprendizagem contínua de toda comunidade escolar pela prática da autorreflexão, por exemplo, é um elemento fundamental na garantia de resiliência, flexibilidade, força e contribuição para o bem-estar da sociedade da qual faz parte. Para que se consiga perceber quais são as possibilidades de uma escola Waldorf diante dos muitos desafios e obstáculos que enfrenta cotidianamente, devemos encontrar uma prática escolar coerente que seja capaz de orientar o processo de desenvolvimento da escola. "Isso quer dizer que, para além do âmbito da prática docente, existe uma prática escolar como um todo, que cuida da escola como um todo, como organismo vivo, como empreendimento comunitário. Essa prática pode pertencer a todos os professores e pais e, na verdade, a todos os adultos que têm algum papel a desempenhar na vida da escola." Allan Kaplan e Sue Davidoff Uma vez estabelecida, a prática escolar torna-se uma possibilidade de cuidar da vida escolar em sentido amplo. Envolve aprender sobre a importância dos relacionamentos, sobre estrutura, sobre individualidade, sobre o papel da escola frente a todos os aspectos da vida escolar: • Requer que desenvolvamos nossas capacidades de autorreflexão, tanto individualmente quanto dentro dos diversos agrupamentos que constituem a vida escolar. • Solicita nossa capacidade de observar o que está acontecendo ao nosso redor, discernindo entre as energias geradoras externas e invisíveis que operam dentro do ambiente escolar e determinam ocorrências neste espaço. Pede que prestemos atenção, que exercitemos a presença, para que nos seja possível dar sentido aos fenômenos sociais. Exige que sejamos capazes de adentrar na esfera da vida social para que compreendamos suas leis, sua ordem, e possamos receber suas inspirações. Precisamos superar nossa maneira muitas vezes redutiva e instrumentalizada de enxergar as organizações – como coisas estratégica e intencionalmente manipuláveis. Para que deixemos de olhar a escola enquanto um mecanismo e passemos a enxergá-la de fato como um organismo vivo, devemos aprender a nutrir a escola com o mesmo amor que damos às crianças sob os nossos cuidados. O programa será executado como um empreendimento colaborativo entre a Proteus Initiative, África do Sul, e a Federação das Escolas Waldorf no Brasil – FEWB. Sua coordenação estará a cargo de Allan Kaplan e Sue Davidoff da Proteus Iniciative. Este programa pretende oferecer aos participantes a compreensão e prática da fenomenologia, na perspectiva Goetheana sobre as organizações sociais enquanto organismos vivos. Abordará a prática em si com base na autorreflexão, bem como o exercício de práticas de observação, reflexão e facilitação, enquanto requisitos essenciais para o acompanhamento e orientação dos organismos e situações sociais. O programa terá duração de dois anos, com início em Abril de 2022, totalizando 10 sessões bimestrais aos finais de semana (sexta-feira à tarde, sábado pela manhã e tarde, e domingo pela manhã) intercaladas com práticas individuais guiadas e reuniões regulares de pequenos grupos na presença de Alan e Sue. Os encontros serão em inglês, com tradução simultânea e on-line. Este programa visa capacitar 36 participantes e está direcionado aos professores, gestores e/ou familiares que lidam cotidianamente com os temas voltados à gestão escolar. Possui como finalidade trabalhar a prática fenomenológica, participativa e recíproca de vivificar a escola enquanto organismo social vivo. Escolas filiadas: 24 parcelas de R$ 480,00 Não filiadas ou público em geral: 24 parcelas de R$ 510,00 Inscrições através do link: https://forms.gle/gMWQ4T7myzYBT2LW8 Informações: fewb@fewb.org.br